quinta-feira, abril 27, 2006

ela, sempre ela

ela que nunca soube possuir
não aceita ser pertencida.
ser só,
é condição pra
ser viva.
e nega os contratos,
as regras da moralidade,
os pedidos de casamento,
a fidelidade.
é de alma,
fiel a todos que ama.
mas seu corpo,
que não conhece as promessas
responde verdadeiro
quando o instinto chama.
e precisa provar nada:
se o olhar não basta

pra reconhecer a entrega sincera,
cala e pra sempre se afasta.

terça-feira, abril 25, 2006

ela

se afasta do que mais precisa
e morre diariamente.
em vez de renascer fênix,
permanece cinza.

segunda-feira, abril 24, 2006

hoje me dispenso da tarefa habitual
de ser mais um operário
produtivo, consumidor e real.
tenho a licença
de ser hoje apenas um poema.
mais um item desnecessário
no relatório oficial.
fugindo das regras da sociedade,
enquanto todos suam pelo material,
passo o dia a produzir felicidade.

outra dama

ela olha amarga.
e a luz que torneia seu corpo atravessa o copo que ela acaricia com os lábios. o vidro desfigura a imagem bela do seu rosto.
assim como o rancor desfigura sua postura decidida.
daquela que já foi a dama amada e que agora já não mais é.
e ela sabe. é mais facil engolir a bebida que a realidade.
então ela bebe. permite que toda sua dor escorra na garganta.
e se bebe toda.
e dança, como se ninguém estivesse olhando apenas para ele ver.
e ele vê. mas aquela já não é a mesma doce dama. que um dia gostara de olhar.

domingo, abril 23, 2006

hoje

não me venha com alegria
empacotada
que hoje eu só caibo
tristeza.

segunda-feira, abril 17, 2006

conclusão

a muralha que me esconde é sempre a mesma, e apenas uma .
a que me defende e a que aprisiona. e me questiono porque tanto a preciso. frágil, presa no esconderijo.
na verdade acredito que isso tudo tá errado.
construo tanto empecilho só pra ver quem não se importa
em talvez se machucar enquanto passa pro outro lado .

e temo concluir, que muitos acharão demasiado arricado.

quinta-feira, abril 13, 2006

bem vindo.

ahá!descobristes a senha.
entra agora e te diverte no meu universo.
me rima, me espia, me combina, me assina.
me faz tua obra, teu segredo, tua prosa e teu verso.
me canta, dança, me esculhamba.
me amassa, me acalma, me traduz.
mas ao sair
me veste, fecha a porta e apaga luz.

quarta-feira, abril 12, 2006

dúvida

hoje eu só queria pôr as duas mãos no peito, os dez dedos fincados,
bem no meio.
romper minha pele como uma lagarta faz com seu casulo
e me rasgar por inteira.
e quando não tivesse mais capa, mais nenhuma cobertura,
aí sim!
eu perderia a compostura.
e então, o que eu seria?
uma linda borboleta
ou uma monstra verde de um metro e sessenta?

segunda-feira, abril 10, 2006

nossa poesia

não te quero meu
e não me quer tua.
nada de posse,
liberdade
nada de pose,
verdade
nada de dose
me transborde.
ah! um brinde a nossa loucura.
tim tim
tu me aprende, eu te aprendo
desafio?
eu digo sim.
me ensina a ser quente,
já não tenho mais medo.


tu me tocas eu te canto
tu quem olha eu quem danço

minha melodia

nossa sintonia
meu poeta
nossa poesia.

ROL

ROL
gosto
das linhas brancas
dos homens
das verdes gramas
da cincunferência.
do barulho
descontrole
do movimento
das cores
até das regras.
mas não tem argumento:
eu odeio futebol.

quinta-feira, abril 06, 2006

é

é.realmente.
não é fácil ter todo o
sentimento do mundo
na mão.
e permanecer de pé.

pouco sobre minha mãe

o medo construiu os meus limites.apertados e fortes demais. me sufocam. me proibem.me destróem. uma muralha segura e triste.
e não entendo mãe, porque insiste nessa fórmula absurda de proteção.
não há mais dor, não há mais perdas.
mas não há mais vôos, não há mais surpresas.
uma menina. como eu.

gostava dos sons. das cores e das pessoas.mas aprendeu a temer.
ouviu a melodia e não se deixou dançar. nem a cantar. nem a sentir.

tirou os acordes errados e nunca mais tocou.
reconheço teu refúgio. teu riso irônico quando se aproxima o sentimento.

tua fuga e tua defesa.
caí do muro. pulei no teu colo. caí do muro .
aprende, criança, a te proteger. o mundo é duro e tu é frágil.
nosso cárcere próprio imaginário e covarde.
mas ainda temos asas. podemos voar. e deixar a melodia vibrar alegre e a vida correr fácil. porque é assim que tem que ser.

quarta-feira, abril 05, 2006

palavras


foge a palavra.

voa solitária e irônica,
rumo próprio.
desatenta ao destino
esnobando o objetivo.
intrínseca e humana condição de ser interpretável.
analisável. mutável.infantilizável.imbecilizável. incomunicável.

.decodificação.

porque a palavra é massa cinzenta fértil.
livre para o molde.
lançada no vento
no eterno aguardo de esconderijo seguro
onde se tornaria verdade.
mas nunca chega.
se perde, se erra, se trasnforma.
assim como se lançam silêncios,flechas,abraços e cabelos.

segunda-feira, abril 03, 2006

esfinge

tudo em mim é questionável
mas beibe,
poupe-me das perguntas.
a resposta é sempre a mesma:
enquanto me decifro
já não tenho mais as dúvidas.

mas pra ti, cherrie
já não vejo mais saída
me sirvo, te devoro e repito
tododia, todo o dia.

domingo, abril 02, 2006

doce

branco, branca.
noite fria, névoa fina
dia que já acorda,
e revela a desordem dos lençóis .
o calor do teu peito aquece meu profano.
ternura no teu olhar envergonha meus demônios
e eles se divertem na ardência do teu desejo.
teu sorriso quase puro desarma os meus certos

textura da tua pele arrepia meus anseios.
quero

o cheiro.o gosto. o todo.

cálculo

incontável.
as horas se somam
e os dois se tornam um.