segunda-feira, abril 24, 2006

outra dama

ela olha amarga.
e a luz que torneia seu corpo atravessa o copo que ela acaricia com os lábios. o vidro desfigura a imagem bela do seu rosto.
assim como o rancor desfigura sua postura decidida.
daquela que já foi a dama amada e que agora já não mais é.
e ela sabe. é mais facil engolir a bebida que a realidade.
então ela bebe. permite que toda sua dor escorra na garganta.
e se bebe toda.
e dança, como se ninguém estivesse olhando apenas para ele ver.
e ele vê. mas aquela já não é a mesma doce dama. que um dia gostara de olhar.