segunda-feira, março 27, 2006

estrelas

ah! esses humanos que se pensam evoluídos
criam teorias realistas sobre as luzes que já morreram.
as estrelas que falecem tão longe da humanidade
enviam mensagens póstumas de esperança e solidão.
e se guiam viúvas e filósofos e navegantes.
uma luz que já não existe, que apenas engana,
finge.
eu queria as estrelas fixas, eternas e verdadeiras.
eu queria mensagens certeiras
a vida da luz que emana
e não a luz da vida que morre.
então teria alguma certeza de alguma coisa em algum lugar.
que não é tudo que se perde,
que se transforma e se acaba.
que meus sonhos podem ser eternos
até que eu os alcançe,
até que eu não me canse.
eu queria que o tempo cessasse de passar
a terra de girar
as estrelas de enganar.
que eu conseguisse me equilibrar.

e depois?

depois eu recomeçaria a pular
para a vida retornar ao seu balanço ritimado
e nunca mais me questionar.

terça-feira, março 21, 2006

juntos

o coração que andava a chutar pedrinhas e falsear sorrisos agora pulsa piegas a menor sombra de poesia.
anda a roubar beijos de um outro coração que em uma noite qualquer veio lhe falar de rock and roll.
o olhar que acompanhava o coração nas suas andanças para o nada agora brilha saltitante a menor sombra de melodia. anda a procurar a harmonia de um outro olhar que dança na chuva, escreve exclamações e pensa tristeza.
e já que estavam a caminho mesmo, resolveram andar juntos seguindo as dúvidas. trocando palavras e confidências e carinhos e músicas. oferecendo as preces, os pensamentos, os corpos e os poemas.

segunda-feira, março 20, 2006

Som

tem uma batida suave
um blues delicado que ecoa no ouvido dos que vivem.
e é cumplice do dançar caprichado dos deuses que povoam os lugares que não se pode tocar.
basta não ver e sentir.
balanço, poesia e perfume.
minha mãe com seu olhar triste, vazio e cansado.
aquele que ensina sem querer o que não queria ter aprendido.
minha mãe com seu olhar de amor esquecido, de carinho contido,
seu próprio inimigo.
aquele olhar que por não saber o que esperar e resolve esperar nada.
nada de novo, nada de bom.
o tempo.
olhar de quem espera silenciosamente o tempo passar.
passar e levar sozinho a tristeza, o vazio e o cansaço do olhar da minha mãe.
eu também espero o tempo.
e espero que ele passe logo e lave o resto que não deveria ter permanecido .
e que traga boas notícias, ventos bons e alegrias

quarta-feira, março 15, 2006

dias

tem aqueles dias que a vida acorda fácil e tudo parece simples, explicado e gostoso. o dia parece uma bisnaga de mumu que só precisa de um furinho pra alegria vazar e escorrer pelos dedos e lambuzar a cara .
aí, vem a vontade de dizer rélou pro sol e descer do ônibus pulando e cantarolar um samba piegas. Aliás, dá uma vontade doioda de ser piegas. Coragem pra pular da cachoeira e gritar que eu te amo e dançar macarena.
então dá pra feliz só por saber que a lua vai chegar, que a terra vai girar, que a cerveja tá no bar.
um típico dia que não se precisa de motivo.

segunda-feira, março 13, 2006

eu

eu que já não sou aquilo tudo que eu queria ser,
acabo sendo um pouco do resto que me tornei.
um anjo caído.
um macaco evoluído.
uma mistura necessariamente sem sentido.
um tanto de escondido por trás do que todo mundo vê.
outro tanto da imagem que a alguém apetecer.

quinta-feira, março 09, 2006

simples

.não te peço promessa que tampouco posso cumprir.
.só quero que fique bem e que não me faça mal.
.não te peço compromisso que tampouco posso sentir.
.só quero que fique bem e que não me faça mal.

quarta-feira, março 08, 2006

nadapornada

tudo de eu
em troca:
tudo de tu

palavras trocadas
pessoas erradas

o poema não tem dono
livre, é solto
o poema não tem culpa
mas traz a dor, causa dano

poesia sem verdade
desafina, sofre
flor sem chão
desanima, morre

enquanto te enganas,
me confunde.
enquanto te confundes,
me engana.

terça-feira, março 07, 2006

és tu

da tua pele, na minha fica o vazio
por dentro, pulso
por fora, arrepio
quem és tu
que me atrapalha, me tira do curso
quem és tu
que me segura, que me sussurra
és tu és tu
e a lua continua girando.
contínua.sempre.nem aí.
Observando.
irônica para com o caos.
caçoando da confusão.
essa grande bola brincalhona
que gira sem sair do eixo.
enquanto eu aqui embaixo
me contorço, me desfaço
eu queria ser redonda
e deixar de ser confusa.

comum


tem uma escuridão enorme lá fora
o ar pesa e caem pedaços de água.
e tem um sol em algum lugar
que demora, demora.

olhos verdes


aqueles olhos verdes. ah! malditos olhos verdes que me sugam escapando das lentes desse óculos que insiste em escapar do nariz.
ah! esses olhos. obscuros olhos verdes. há tanta coisa aí dentro. esses sacanas olhos verdes. e tudo em mim apetece.
e tudo arrepia. e então me seguem, esses traidores olhos verdes. mas não me procuram.
apenas me esperam.
toda intensidade não me pertence. tudo daqueles imbecis olhos verdes.

why does my heart feel so bad?

mais uma garçon. eu preciso me sentir cheia. esse vazio anda me corroendo. ocupando espaço demais esse vazio. espaço que poderia ser visto por aqueles distantes olhos verdes, mas eles não querem. e algo queima sempre que sei que esses perversos olhos verdes continuam vendo. vendo tudo. o que acontece aqui dentro, aqui fora.
e continuam vendo outros dentros e outros foras que não os meus. ah! malvados olhos verdes.
queria eu nunca ter encontrado meus olhos castanhos nesses cretinos olhos verdes. aí não teria me perdido. logo quando queria encontrar.
e me encher. mais uma garçon, preciso ficar cheia. rápido.aqueles olhos verdes.
ah! malditos olhos verdes.

eu guardo rancor

estico minhas pernas logo pela manhã
pro meu sangue correr veloz.
em época de calamaria,
é bom que não esquecer
da adrenalina.

para que esteja pronto
rápido, quando a cabeça chamar
pra acompanhar minhas idéias
meu pensamento maldito e feroz.

que fervilha em minha cabeça
assuntos mundanos
sujos e escuros.
porque eu guardo rancor.

às vezes esqueço, mas quase
sempre ele permanece.
mudo, aninhado entre coisas boas
que por vezes me pertecem.
aí reaparece.

naquela angústia mais profunda
naquela dor que envergonha
na furia que enlouquece.
o meu prazer é pertencê-lo

porque faz parte de mim
da minha essência podre.
da minha alma pobre.
mas estico minhas pernas pela manhã.
pra quando precisar correr.
pra quando precisar morrer.
estico minha pernas pela manhã.

outros tantos



outro. outros tantos dos tantos que já nascemos
com.porque existe o que já é certo.que quase nunca é certo, de certo, sabe?só é
certo porque já está ali. nas não é correto, tampouco divertido. quase nunca
bom.mas é certo.mesmo assim há outros tantos que não são certos,logo, são
incertos. mas não incertos de errados, incertos porque não estavam ali. nem
estão. e talvez nunca estarão.outros tantos de tudo que ainda não está ali. nem
aqui. nem na puta que pariu.porque ao contrário não teria graça. graça alguma.
nada, nadica de nada.e o certo é que haverão incertos por todos os lados. isso é
certo. incertos são certos.tá.