quinta-feira, abril 06, 2006

pouco sobre minha mãe

o medo construiu os meus limites.apertados e fortes demais. me sufocam. me proibem.me destróem. uma muralha segura e triste.
e não entendo mãe, porque insiste nessa fórmula absurda de proteção.
não há mais dor, não há mais perdas.
mas não há mais vôos, não há mais surpresas.
uma menina. como eu.

gostava dos sons. das cores e das pessoas.mas aprendeu a temer.
ouviu a melodia e não se deixou dançar. nem a cantar. nem a sentir.

tirou os acordes errados e nunca mais tocou.
reconheço teu refúgio. teu riso irônico quando se aproxima o sentimento.

tua fuga e tua defesa.
caí do muro. pulei no teu colo. caí do muro .
aprende, criança, a te proteger. o mundo é duro e tu é frágil.
nosso cárcere próprio imaginário e covarde.
mas ainda temos asas. podemos voar. e deixar a melodia vibrar alegre e a vida correr fácil. porque é assim que tem que ser.