quarta-feira, maio 10, 2006

cinza

no canto de um qualquer cinzeiro
uma mistura de morte, dor e silêncio.
O que um dia já foi inteiro
hoje é só lembrança
e erro.
não deve ser difícil ser acesa
mas ela,
ela já é cinza.
e agora é tão tarde e escuro...
e frio, tão frio.
insiste em usar o fogo
para afastar aquilo que faz bem.
deveria ficar quente
mas se consome.
e some, pra sempre.
o que mais arde
é que nunca quis ser contraste
nunca quis ser branco e preto.
sempre quis ser vermelho,
vermelho escarlate.

segunda-feira, maio 08, 2006

ciúmes

pouco importa o que a tua mão apalpa,
o que teu sexo instiga.
eu morro de ciúmes
é daquilo que te fascina.

domingo, maio 07, 2006

moderna

já não me surpreende
tudo o que acontece
quando, de fato
tu não estás presente.
falta o teu sussuro na minha voz
o teu sorriso nos meus lábios
o teu olhar no que eu vejo.
mas é o absurdo que me fascina
sinto tua falta
até quando na minha tela,
tua janela não pisca.

as pedras

ele guarda no bolso todas as pedras que ela atira.
sozinho e no escuro,
ele afia,
afunda na tinta
e escreve poesia.

quarta-feira, maio 03, 2006

blefe

venha ver minhas marcas
meus cortes, minhas sombras,
minha nova cicatriz.


duvida do que digo.
minhas falas
eu decoro
.meus personagens.
interpreto, sou atriz.

um cenário, pouca luz,uma mesa que é redonda, faces conhecidas, facetas repreendidas e fumaça. fumaça que envolve, que esconde e seduz.olhares ansiosos, discretos, não inteiros, irônicos, maldosos.
copos
na agulha,Coltrane.
eu me aposto, tu te apostas. estamos à prova.
cartas.

é preciso jogar.

mas cherrie, não te esquece:

a vida, a vida é um blefe.


(gracias John)