terça-feira, março 07, 2006

eu guardo rancor

estico minhas pernas logo pela manhã
pro meu sangue correr veloz.
em época de calamaria,
é bom que não esquecer
da adrenalina.

para que esteja pronto
rápido, quando a cabeça chamar
pra acompanhar minhas idéias
meu pensamento maldito e feroz.

que fervilha em minha cabeça
assuntos mundanos
sujos e escuros.
porque eu guardo rancor.

às vezes esqueço, mas quase
sempre ele permanece.
mudo, aninhado entre coisas boas
que por vezes me pertecem.
aí reaparece.

naquela angústia mais profunda
naquela dor que envergonha
na furia que enlouquece.
o meu prazer é pertencê-lo

porque faz parte de mim
da minha essência podre.
da minha alma pobre.
mas estico minhas pernas pela manhã.
pra quando precisar correr.
pra quando precisar morrer.
estico minha pernas pela manhã.