domingo, março 01, 2009

medo

bem sei que esse medo não vale nada.me suga, me erra, me cega.bem sei que meu motivo é fracos. que meu passado vira presente no meu erro diário.


o que temo? te querer tanto que te perco.que me perco. em ti. em mim. e quando perco meu medo, enfim?


te peço que fique. não tenha medo do meu medo. que, enquanto tu fica o meu medo, eu venço.mas fica. porque, até pra mim, isso ainda é segredo.

sexta-feira, novembro 24, 2006

no ponto

todos os mistérios
preto e vermelho
toda a noite
e o silêncio.
olhares e suspense,
todo o medo e o desejo.
de chocolate amargo e cereja
cremoso

de repente isso explode
e
vira história

sexta-feira, outubro 27, 2006

queria

eu queria ser todo o teu sentido
tudo que tocas e a única coisa que tu vê.
ser teu único desejo, o todo do teu ser.
teu sorriso por inteiro, todas as palavras,
todo som, todo barullho, toda canção
queria já nem ter sentido, nem razão, nem motivo.
queria já não precisar querer tanto.
queria te esquecer.

terça-feira, outubro 24, 2006

pois é

o cotidiano me engloba como se eu fosse uma bola de chiclete e ele uma boca cheia de dentes vociferentes. tenho a impressão que ele me deseja tanto e saliva de vontade de me engolir quanto eu desejo e salivo por um balde de sorvete de chocolate com calda quente.
eu sempre pronta para implodir ou ser mastigada e nada de palavras dedicadas por longos dias - apenas as chatas irritantes palavras filhas do dia a dia. e filhas de outras mães que, a essa altura do campeonato, não são mais ofensivas. é preciso arranjar mães piores. definitivamente. e arranjar um passatempo e parar de escrever bobagens sobre as palavras. há sempre tanto e nada por dizer.

quarta-feira, setembro 27, 2006

escura e fria

daqueles dias que se sai a tropeçar por uma noite escura e fria. todas as coisas que acontecem e se revelam e que parecem que só existem naqueles dias em que se sai a tropeçar por uma noite escura e fria. todos os medos e todas as pazes que se instalam sem explicação e que fazem o mesmo na hora de abandonar. todos os adeus indesejados e as aproxiamações não feitas. mas desejadas. todas as coisas que estão ao mesmo tempo em mim e na noite inteira. todas as coisas que não podem ser contadas nem escritas. todo o desejo de ser um pedaço de escuridão, uma fatia de brisa, fragmento de tempo. ser eu e a noite. inteira.

segunda-feira, agosto 14, 2006

sabe

caminha pela chuva com seu tênis de pano, uma sacola de plástico com as bolachas para a noite e o pensamento dividido pelas lembranças e contas.
seria um dia qualquer de estímulos poucos e irritações muitas senão a expectativa insistente de sentir tua imensidão oceânica e o calor da tua mão.e mais todas as outras coisas que não se pode descrever e que não se pode imaginar desenhar criar. porque o amor, a gente sabe. e só sabe.

terça-feira, agosto 01, 2006

um triz

enche o olho de água. respira fundo. continua. acaba dia, acaba.
. já não escuta ser chamada.
falseia alguma risada. aumenta o volume do som. renega a imagem do espelho.
.já não escuta ser chamada.
caminha devagar. esconde o pescoço na gola alta.esconde o pescoço o olho a boca. esconde sentimento esconde amor medo desprezo. esconde, esconde. acaba dia, acaba.
procura a verdade na poesia e só encontra rima barata.
por vezes fica feliz por ter vontade de chorar.
certa de que algo ainda vive, mesmo que triste, algo ainda insiste.

mas sabe, está por um triz.